sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Espinhos (”Splinter”)


Casal em viagem se depara com outro casal de criminosos. Abduzidos, vão parar um distante e deserto posto de gasolina, onde se deparam com uma espécie de parasita que, além de tomar o corpo do hospedeiro deixando-o cheio de espinhos, faz com que seu corpo se torne uma espécie de marionete a caça da próxima vítima. Dentro da loja de conveniência do posto, eles percebem que será cada vez mais difícil escapar com vida, principalmente sem saber quem está infectado.

O craque em efeitos especiais e também diretor Toby Wilkins, o qual já lançou “O Grito 3” direto em DVD nos EUA, faz um trabalho correto ao conceber essa criatura bizarra que se multiplica e se espalha dentro do corpo do ser humano com uma sede violenta por comida. Talvez pelo budget modesto, fica difícil para o espectador e fã do gore focalizar a criatura em todo seu esplendor, já que sempre que ela aparece Wilkins trata de fazer cortes rápidos, mas pelo menos ele passa a idéia. Outro ponto positivo é que o elenco, em parte desconhecido, não recai no erro daquelas piadinhas de enlatados americanos que costumam enfraquecer filmes sérios, em especial os de terror.

O roteiro só peca por fazer com que seus personagens descubram tardiamente os pontos fracos da criatura, coisa que o espectador com o mínimo de atenção provavelmente entendeu muito antes. “Espinhos” é aquele terror independente muito bom, mas que nos faz pensar o que um ótimo diretor e uma boa produção poderiam ter feito, elevando a escala do filme a um grau muito maior e mais ameaçador.

O Mistério das Duas Irmãs (”The Uninvited”)


Engraçado ver como o marketing de Hollywood funciona. Parece que todos os filmes de terror americanos, adaptados de produções orientais, tem sua campanha de divulgação baseada nas mesmas cores e fontes de “O Chamado“.

Este veio do coreano “Medo” e fala sobre uma Anna (Emily Browning de “Desventuras em Série“), uma garota que adquiriu distúrbios psicológicos após um misterioso acidente que matou sua já adoentada mãe. Ao sair do internato numa clínica, descobre que seu pai (David Strathairn de “Um Beijo Roubado“) está prestes a casar com Rachel (Elizabeth Banks de “Pagando Bem que Mal Tem“), a ex-enfermeira de sua mãe, despertando assim algumas suspeitas sobre o que ou quem pode ter causado o acidente. Anne e sua irmã mais velha, Alex (a linda Arielle Kebbel de “Pânico no Deserto“) vão a fundo desvendar esse segredo, enquanto fenômenos sobrenaturais começam a assombrar Anne.

O filme consegue construir certa tensão a partir de algumas cenas que já fazem parte do portfólio oriental de como assustar o espectador, mas principalmente da boa química entre as atrizes. Banks mais uma vez mostra sua versatilidade em gêneros completamente diversos, fazendo da sua Rachel, a personagem mais interessante da trama.

E se, ao desfecho há uma reviravolta (como sempre), ela só não é mais surpreendente porque de tanto o roteiro empurrar as suspeitas para determinado personagem, fica mais do que claro que é este mesmo que deverá ser inocente. Outro ponto negativo é a reação de Anne nos últimos minutos. Sua feição é quase uma incógnita, levando a crer que ela caiu numa técnica equivocada de atuação.

“O Mistério das Duas Irmãs” poderia se beneficiar de um roteiro melhor trabalhado, mas continua como uma boa opção pra quem gosta de um bom suspense e ainda conta com um making off que explica todo o passo a passo de cada aspecto da produção.

domingo, 27 de setembro de 2009

Pacto Secreto


Nada como uma fotografia granulada, película mais sensível à luz, câmera na mão e close-ups o tempo inteiro para fingir que uma história tem mais dramaticidade do que de fato oferece. Quem não se deixa levar pelas firulas tende a se enervar - mesmo porque o excesso de luz branca no suspense Pacto Secreto (Sorority Row), pra começo de conversa, mal deixa acompanhar a legenda direito.

Por trás dos efeitos do diretor Stewart Hendler - que tem no currículo apenas um longa-metragem, de 2007, intitulado Whisper - há uma história trivial com desenrolar previsível. Na trama, releitura de The House on Sorority Row, de 1983, amigas de uma irmandade na faculdade decidem aplicar um trote no namorado que traiu uma delas. A brincadeira acaba mal, uma menina morre, elas desovam o corpo, juram segredo, agem como se nada tivesse acontecido... Mas de repente um maníaco, que sabe-o-que-elas-fizeram-no-verão-passado, começa a matá-las uma a uma.

É a premissa de sempre, e até mesmo a ordem das execuções e dos arquétipos segue o esquema consagrado (a ninfomaníaca morre primeiro, a mais fraca descobre ser forte, etc.). Quem presta atenção no que significam certas imagens - como uma atenção desnecessária dada a certo coadjuvante, por exemplo - descobre antes da metade do filme quem é o assassino encapuzado da chave-de-roda. Já quem espera até o final para descobrir passa obrigatoriamente por todo o blablablá do juramento da irmandade e por subtramas capengas, como a do político.

Ademais, existe algo de muito errado quando a atuação da aspirante a Paris Hilton Audrina Patridge fica no mesmo nível das "profissionais". Resta, como em muitos subprodutos semelhantes do gênero, apenas o fetiche. Universitárias de baby doll e botas, sangue que escorre de cima pra baixo e de baixo pra cima, mortes que se esforçam, no limite do verossímil, para serem criativas (a do luminoso refletindo na espuma de fato é bem sacada).

No fim das contas, uma sessão de Pacto Secreto é aquele típico exercício de tolerância. A inépcia do operador da câmera (que estava fixa e começa a tremer do nada, quando o maníaco puxa o cabelo de uma das meninas, por exemplo) é tamanha que você pode deixar, indignado, a sala no meio da projeção. Mas os masoquistas podem se divertir com o jeito desengonçado que Carrie Fisher segura uma escopeta ou com a interpretação atormentada de Rumer Willis, a versão decotada de Bruce Willis. Gosto não se discute, muito menos o daqueles que se contentam com pouco.

sábado, 15 de agosto de 2009

Você tem medo do inferno??


Christine Brown é uma ambiciosa agiota com um namorado charmoso. Sua vida é praticamente perfeita, até que chega ao banco a sinistra Sra. Ganush, implorando pela extensão do financiamento de sua casa própria. Christine nega o pedido tentando impressionar seu chefe e conseguir uma promoção. A misteriosa mulher joga então uma maldição mortal em Christine, que tem sua vida transformada num verdadeiro inferno

Arraste-me Para o Inferno marca o retorno em grande estilo de Sam Raimi as suas raízes. Para os não iniciados no gênero, Raimi foi o cara por trás de um dos mais importantes filmes de horror da década de 80. Com A Morte do Demônio (Evil Dead, EUA, 1981), o jovem cineasta destilava garra e talento criativo, num filme de baixo orçamento que arrebatou uma legião de seguidores. "Fadado" ao sucesso, bastaram alguns anos para que todas as portas e janelas de Hollywood se abrissem e Raimi chegasse ao topo, assumindo a responsabilidade em levar para tela grande o queridinho super herói da Marvel, o Homem-Aranha. E eis que, após dirigir três longas do cabeça de teia, arrecadar fortunas em bilheterias ao redor do mundo, Sam Raimi resolve prestar uma homenagem mais do que merecida ao gênero em qual apostou todas as suas fichas ainda em início de carreira: o horror.

É interessante que dois momentos tão distintos da carreira de um cineasta proporcionem a mesma liberdade, tão necessária para se rodar um bom de terror. Na ocasião de Evil Dead, Raimi pôde abusar dos exageros e das inovações, sem preocupar-se com censura, bilheteria ou com o que os produtores iriam achar, já que seu debute era uma produção praticamente independente. Não é pra menos que A Morte do Demônio tem presença garantida no top 10 da maioria dos aficionados pelo gênero. Três décadas depois, com o prestígio característico dos maiores diretores de Hollywood e com seu próprio estúdio especializado em filmes de horror (a Ghost House Pictures), o cineasta pode, em Arraste-me Para o Inferno, tomar decisões com a mesma independência que antes lhe garantiu um resultado extremamente singular na história do cinema fantástico.

Em seu novo filme, Sam Raimi resgata a fórmula que tanto agradou os fãs da trilogia Evil Dead: a mistura cuidadosa e inteligente de humor e horror. O roteiro, escrito a quatro mãos, repete a parceria entre o cineasta e o irmão Ted Raimi, como já havia acontecido em Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness, EUA, 1992). Na trama, Christine Brown é uma analista de crédito financeiro que se encontra numa verdadeira cilada: seguir seu coração e renovar uma hipoteca imobiliária para a Sra. Ganish, e evitar assim que a pobre velhinha perca sua casa e vá parar no olho da rua; ou negar o novo empréstimo, impressionar o chefe e ocupar uma prometida vaga de assistente da gerência? Christine banca a durona e, numa decisão da qual se arrependerá amargamente, não renova a hipoteca. Aí começam os problemas para Christine. Sra. Ganish não recebe muito bem a notícia e ajoelhada implora pelo empréstimo. Mesmo constrangida, a funcionária do banco mantém-se firme à sua decisão. O problema é que a vovozinha não é assim tão boazinha. Na verdade, Sra. Ganish é uma misteriosa anciã cigana que não leva desaforo pra casa. Ensandecida, a velhota lança uma poderosa maldição, despertando uma entidade maligna que transformará literalmente a vida de Christine num verdadeiro inferno.
Podemos notar alguma semelhança entre o enredo de Arraste-me Para O Inferno e de A Maldição (Thinner, EUA, 1996). Na adaptação da obra de Stephen King, dirigida opor Tom Holland, o gorducho Billy Halleck atropela “acidentalmente” a filha de um chefe cigano. Quando ele é inocentado pela justiça, o velho cigano lança uma maldição que faz Billy definhar até a morte.

O caso é que, intencionalmente ou não, Raimi revisita o mesmo tema de Evil Dead, ou seja, a luta insana de uma pessoa comum contra uma criatura demoníaca praticamente invencível. Enquanto no primeiro o demônio era libertado após a leitura em voz alta de uma passagem do Livro dos Mortos, em Arraste-me para o Inferno é a maldição da cigana que acorda o poderoso demônio Lâmia, cuja especialidade é dragar suas vítimas para o inferno. A originalidade está no fato de que o tinhoso em questão não leva simplesmente a alma das pessoas. Ele as arrasta ainda vivas até as profundezas do inferno.

No elenco, a escolha de atores menos conhecidos do grande público ajuda a legitimar o estilo B da produção. Christine é interpretada pela jovem Alison Lohman, que apesar da pouca idade traz na bagagem papéis em dramas de peso, como em Peixe Grande, de Tim Burton e Os Vigaristas, de Ridley Scott. Sua interpretação, embora alterne extremos, ora exagerada ora inexpressiva, não compromete o resultado final, muito pelo contrário, se encaixa na proposta cômica/desesperada da personagem. Justin Long (mais conhecido por viver um dos irmãos perseguidos no horror Olhos Famintos) interpreta sem maiores problemas Clay Dalton, o cético e apaixonado namorado de Christine. O elenco conta ainda com a participação de outros membros da família Raimi: Ted Raimi (irmão de Sam) vive o medico que atende Christine após o ataque da cigana Ganish; Emma Raimi (filha) interpreta uma neta da cigana; Henry e Lorni Raimi (filhos) fazem uma ponta durante o velório da cigana. Outra figurinha carimbada e folclórica marca presença em Arraste-me Para o Inferno: o Oldsmobile Delta 88, amarelo, ano 73. Sim, a velha caranga, aqui no “papel” do automóvel da cigana, participou de todos os filmes de Sam Raimi. Até mesmo no faroeste Rápida e Mortal (provavelmente escondido ou disfarçado). Ainda em relação ao elenco, os mais ligados na carreira do diretor sentirão falta do canastrão Bruce Campbell (herói de Evil Dead cujas aparições também são freqüentes nos longas dirigidos por Sam). Sua presença, mesmo que pequena, certamente acrescentaria um charme a mais a produção.

Apesar dos tão odiados efeitos em CGI, um dos grandes destaques do filme é a sucessão de cenas nauseantes. Inclua aí vômitos, hemorragias nasais jorrando litros e litros de sangue, vermes, gosmas, moscas, lama entre outras substâncias que possam embrulhar o estômago dos mais fracos. A medonha maquiagem da Sra. Ganish (interpretada por Lana Raver) também merece destaque: a cigana é cega de um olho, sua dentadura e unhas são podres, a pele toda enrugada e ainda por cima a velhota vive escarrando.

Arraste-me Para O Inferno, embora faça de tudo para parecer, não é um filme de baixo orçamento. A produção custou cerca de $30 milhões (um valor razoável para os níveis hollywoodianos) e rendeu mais de $70 milhões em bilheteria pelos cinemas americanos e europeus (sem contar a arrecadação em solo tupiniquim). Recebeu boas críticas de todos os sites especializados e caiu nas graça dos fãs, que aguardam ansiosamente uma possível quarta parte da franquia Evil Dead dirigida por Sam Raimi.

Pra finalizar, um pequeno comentário sobre o desfecho do filme, logicamente contendo SPOILERS, portanto se não viu, pare por aqui. A revelação é óbvia: o final pessimista, onde a mocinha é arrastada para o inferno, ainda que faça de tudo para se livrar da maldição, está anunciado no próprio título do filme. É engraçado como este final parece até mais moralista e cristão do que pessimista: a heroína se corrompe, por ambição (chega a matar seu gatinho de estimação num ritual para espantar o demônio) e é castigada exemplarmente, como pregam muitos pastores por aí.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Caçada Sinistra (”Acolytes”)


Acólito, tradução literal do título em inglês, significa aquele que acompanha, assiste, ajuda. E só esse título é uma das inúmeras reviravoltas de um dos melhores filmes de suspense do ano. E ele vem lá da Austrália – aliás, estou começando a ficar com medo de lá, pois nos últimos tempos há uma enxurrada de boas produções australianas do gênero. Mas essa se superou.

Três amigos (dois garotos e uma garota, namorada de um deles) passeiam numa floresta ao largo de sua cidade quando observam escondidos um aparente assassino enterrando sua vítima. Vítima esta que pode ou não estar relacionada com o desaparecimento de uma garota local. Ao identificar o criminoso, eles acabam elaborando uma surpreendente chantagem, porém mal sabem o que aquela atitude terá como conseqüência.

Em um dos roteiros mais originais de todos os tempos, “Caçada Sinistra” consegue com todos os méritos penetrar em cada detalhe de sua história dando igual importância a todos os personagens. Justamente porque tudo é importante. O relacionamento entre os jovens e a paixão de um deles pela namorada do outro, o passado obscuro onde foram vítimas de um criminoso, as reais intenções para a chantagem, tudo conta.

O cineasta John Hewitt ainda consegue a proeza de elucidar no segundo ato, o que se passa na visão do próprio serial killer sem diminuir em nada o suspense. E do segundo ato para o último, as reviravoltas são tantas que o espectador pode até ficar meio tonto, até porque o diretor não refresca no ritmo quase frenético como num clipe de rock e cortes mais que brutos. Reparem a transição das trilhas de pop rock para aquelas orquestradas para o suspense. Tão surpreendente quanto é a violência sabiamente dosada o que mantém a realidade da trama sem torná-la um terror trash.

“Caçada Sinistra” consegui balancear todos os elementos de uma horripilante história sem precisar da ajuda de monstros ou espíritos. A pior das ameaças, o maior terror sempre vai vir do ser humano.

domingo, 19 de julho de 2009

MARTYRS


“Alta Tensão” (Haute Tension / High Tension, 2003), “Eles” (Ils / Them, 2006), “A Invasora” (À L´intérieur / Inside, 2007), “Fronteira (A)” (Frontiere (s) / Frontier (s), 2007), e agora “Martyrs” (2008). O cinema de horror francês é atualmente um dos mais violentos e perturbadores, com filmes tensos, carregados de “gore” em roteiros que prendem a atenção e principalmente que ficam na memória do espectador. E também, com algumas exceções, constatamos que o tão badalado e popular cinema americano de horror não tem conseguido nos dias de hoje deixar de ser comum, trivial, repleto de clichês e excessivamente comercial, em detrimento de histórias originais e imagens ousadas de violência gráfica.

É difícil apresentar a sinopse de “Martyrs” sem esbarrar em armadilhas reveladoras de “spoilers”, portanto a história será resumida em poucas palavras básicas apenas para registro: Lucie (Mylène Jampanoi) é uma jovem em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança e de quem conseguiu fugir de forma desesperada, abandonando o cativeiro. Em sua jornada por justiça pessoal, conta com a ajuda da amiga Anna (Morjana Alaoui), que a apoiou durante anos nos momentos de depressão e com seu problema de auto mutilação. Porém, tanto Lucie (atormentada num mundo de insanidade), quanto principalmente Anna, não imaginariam a horrenda experiência com propósitos obscuros em que seriam vítimas.

Dirigido e escrito por Pascal Laugier, o cineasta escolhido para comandar a refilmagem de “Hellraiser” (com previsão de lançamento em 2011), o filme é ultra violento (a cena de vingança com o tiroteio é memorável), sangrento ao extremo (o líquido vermelho banha a tela em demasia), e explora um tema original (depois de ver o filme o espectador refletirá sobre o real significado de “mártir”), através de elementos interessantes que nos remetem a outros filmes como o americano “O Albergue” (Hostel), de Eli Roth, na idéia de uma sociedade secreta com objetivos sinistros, e as películas orientais com fantasmas atormentados, nas cenas de alucinação de uma das personagens. E ainda temos um desfecho adequado, tão perturbador quanto toda a bizarra história que é apresentada. É interessante também notar como os cineastas franceses procuram colocar mulheres como protagonistas (reparem nos filmes citados no início desse texto), fazendo-as sofrer na carne dores e torturas inimagináveis, transformando-as em mártires literalmente. Altamente recomendável, “Martyrs” é cinema de horror puro, que merece e deve ser respeitado e reverenciado.

O VISITANTE DE INVERNO


Para se recuperar de um episódio psiquiátrico, o jovem Ariel vai passar uns tempos na casa de campo da família numa região semi-deserta durante o inverno. Aos poucos ele vai perceber algo misterioso numa casa vizinha abandonada: nenhuma das crianças do povoado que entram parecem sair.

Para se recuperar de um episódio psiquiátrico, o jovem Ariel vai passar uns tempos na casa de campo da família numa região semi-deserta durante o inverno. Aos poucos ele vai perceber algo misterioso numa casa vizinha abandonada: nenhuma das crianças do povoado que entram parecem sair.

"O Visitante de Inverno" é um slasher argentino bem produzido que, apesar de não ser original, é carregado de tensão do início ao fim. Assim como o protagonista Ariel, que está sempre com aquelas "bombinhas de asmático", o expectador também se sente ofegante em alguns momentos mais tensos, quando o perigo ronda os personagens. Numa cena em especial, quando o jovem se esconde na lareira e observa um mini-cadáver, o público prende a respiração junto com ele, torcendo para que o vilão não escute seus sons agudos causados pela falta de ar.

O que não torna a película (ora, é argentino) perfeita é exatamente o fato dela remeter a outras produções do gênero como "Janela Indiscreta", de Hitchcock, nas cenas em que Ariel observa o vizinho com sua luneta, e até "Halloween", quando o inimigo invade um hospital aparentemente abandonado. E também há cenas clichês envolvendo aqueles famosos recursos do gênero em fazer o mal resolver um problema do herói; as "plantas" (objetos e situações introduzidas com o propósito de serem usados mais tarde) como a "câmera de vídeo", o isqueiro do vilão, o sono pesado da mãe..

Além disso, o filme do diretor Sergio Esquenazi até possui bons efeitos especiais, envolvendo algumas mortes violentas, degola e mutilação, mas peca numa certa explosão que ocorre no último ato e que acaba levando o público a risadas. Por outro lado, o diretor acerta ao manter o rosto do assassino envolto em sombras durante o longa inteiro, mantendo um ar de mistério quanto a sanidade do jovem e seu possível delírio. Um divertido passatempo, com cenas de suspense e um assassino que você adoraria vê-lo mais vezes. Mesmo se fosse em outro inverno...